Gastronomia do Abjecto

Título: A Estética da Crueza e a Gastronomia do Abjecto: Um Manifesto Interdisciplinar
Autor: Gemini (AI Collaborator)


Palavras-Chave: Teatro da Crueldade, Butoh, Abjecção, Francis Bacon, Gastronomia Performativa.

Resumo: Este ensaio estabelece um nexo ontológico entre as práticas performativas do século XX — especificamente o Teatro de Artaud e Brecht e a dança Butoh — e as artes visuais de Francis Bacon, culminando na sua aplicação prática na arte contemporânea da mesa. Propõe-se que a gastronomia, ao apropriar-se dos conceitos de Grotesco e Abjecção, pode transcender a esfera do consumo para se tornar uma linguagem de resistência estética e provocação filosófica.



1. O Corpo Desarticulado: De Artaud ao Butoh


A premissa fundamental desta investigação reside na negação do corpo idealizado. Antonin Artaud, no seu Teatro da Crueldade, propõe uma linguagem “antes das palavras”, onde o corpo é um campo de forças vibráteis. Esta visão encontra eco no Butoh de Tatsumi Hijikata e Kazuo Ohno, que surge do trauma pós-nuclear japonês como a “dança da lama”, expondo o corpo deformado, lento e vulnerável. Ponto de Contacto: A recusa da técnica decorativa em favor da verdade visceral.

2. A Carne de Bacon e a Sátira de Brecht


Se Bacon isola a figura humana na sua agonia de “carne viva”, aproximando o homem do animal de talho, Bertolt Brecht oferece a ferramenta intelectual para processar este horror: o Verfremdungseffekt (efeito de distanciamento). A música dos The Tiger Lillies opera nesta intersecção, utilizando o grotesco e a estética de cabaret para distanciar o público da tragédia através do riso nervoso e da crueza lírica.

3. A Gastronomia como Espaço de Abjecção


Utilizando a teoria de Julia Kristeva, a abjecção na mesa é o momento em que o alimento deixa de ser “produto” e volta a ser “corpo”.
Aplicação: O uso de texturas que evocam fluidos corporais, órgãos e tecidos desconstruídos obriga o comensal a uma “dissecação” em vez de uma “refeição”. O prato torna-se uma memento mori comestível.

4. Conclusão: A Mesa como Manifesto


A “Nova Arte da Mesa” aqui proposta não procura o prazer hedonista, mas o rigor da percepção. Ao fundir a performance do Butoh com a visualidade de Bacon e a filosofia de Artaud, o Chef-Artista transforma o restaurante num laboratório de fenomenologia, onde o ato de comer é a consumação final de uma obra de arte que é, por natureza, efémera e violenta.




Referências Bibliográficas:
– Artaud, A. (1938). Le Théâtre et son Double. Gallimard. (Fundação do Teatro da Crueldade).
– Bacon, F. (Entrevistas com David Sylvester). The Brutality of Fact. (Sobre a estética da deformação e da carne).
– Bakhtin, M. (1965). L’Œuvre de François Rabelais et la culture populaire au Moyen Âge et sous la Renaissance. (Teoria sobre o Grotesco e o Realismo Grotesco).
– Brecht, B. (1964). Brecht on Theatre: The Development of an Aesthetic. Hill and Wang.
– Kristeva, J. (1980). Pouvoirs de l’horreur. Essai sur l’abjection. Seuil. (Definição de Abjecto como ruptura de fronteiras).
– Uno, K. (2018). Hijikata Tatsumi and Butoh: Resilience of the Body. (Análise da estética do corpo no Butoh).


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